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Febre em crianças: quando se preocupar?

Testa quente, mãos geladas, rosto vermelho, coração e respiração acelerados. Você conhece esses sintomas? Eles são comuns em quadros de febre e, quando acontece em crianças, assusta muitos pais.

É um tema cheio de mitos. Afinal, banho gelado normaliza a temperatura do corpo? Existe intervalo mínimo para medicar? Colocar álcool na água do banho resolve? Neste texto, vou esclarecer questões como essas, que atravessam gerações e estão na ponta da língua, mas nem sempre procedem e causam preocupação desnecessária.

Primeiro ponto. Febre não é uma doença, mas sim um gatilho que denuncia que algo está fora do lugar no organismo. Trata-se de importante mecanismo fisiológico que combate infecções ou inflamações (respiratória, urinária, otites e pneumonia, por exemplo), uma vez que certos vírus e bactérias não sobrevivem a partir de 37º C. Quer dizer que o corpo está defendendo-se contra “invasores” para manter-se em ordem. Quase sempre, desaparece sozinha, sem auxílio de medicamentos.

Você sabia que quase 30% dos atendimentos de emergência e ligações para pediatras são por causa de febre aguda? Uma dúvida muito recorrente entre os pais é sobre o uso de medicamentos (acetaminofeno e ibuprofeno são os mais recomendados). Protocolos orientam que eles devem entrar em cena quando o termômetro indicar valores acima de 37,8º C – o “normal” vai de 36 a 37,2º C.

Meu filho está com febre, devo correr para o médico?

Em algumas situações, principalmente quando o problema ocorre em bebês com idade inferior a três meses, ou em crianças – independentemente da faixa etária – que apresentem sinais associados mais graves, como letargia, vômito, manchas na pele e diarreia. Se durar mais de dois dias, mesmo aparentemente bem, é preciso investigação mais específica.

Dei remédio e meu filho continua quente, socorro!

Tenha calma! Os fármacos atuam para aliviar o desconforto da criança. No entanto, caso o índice não caia depois de três horas, consulte o médico para que ele prescreva novas composições. Em algumas circunstâncias, é possível alternar antitérmicos diferentes a cada três horas.

E se eu usar álcool

Não faça isso! 

Nada de álcool pois há risco de a criança inalar a substância e intoxicar-se. Paralelo a esses cuidados, opte por roupas de algodão, agasalhe bem o corpo e não se esqueça da hidratação – ofereça sucos, água ou leite, em pequenas quantidades e várias vezes no dia.

Existe risco de virar convulsão?

Sim. Acontece quando a temperatura sobe rapidamente – mais comum em crianças de seis meses a seis anos. Os braços e as pernas ficam rígidos e trêmulos, durante dois minutos, mais ou menos. Em geral, não deixa sequelas e requer calma de quem acompanha a criança (deixe-a confortável e com a cabeça um pouco elevada, para facilitar o trabalho respiratório).

Se ultrapassar os dois minutos – raramente acontece e manifesta-se apenas uma vez durante a vida toda –, não hesite em ir para o pronto-socorro.

Quer saber mais? Estou à disposição para solucionar qualquer dúvida que você possa ter e ficarei muito feliz em responder aos seus comentários sobre este assunto. Leia outros artigos e conheça mais do meu trabalho como pediatra e dermatologista em Cotia!

 

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Dr. Raphael Viana

Posted by Dr. Raphael Viana